Em 1979, a Modicon deu de graça o que podia ter vendido.

No fim dos anos 70, cada fabricante tinha seu jeito de fazer o CLP conversar com o resto do mundo. Protocolo era segredo industrial, e prender o cliente na própria rede fazia parte do modelo de negócio.
A Modicon fez o oposto: publicou o Modbus aberto. Sem licença, sem royalty. Qualquer um podia implementar.

Parecia entregar vantagem de mão beijada. E aqui está a parte que quase ninguém conta: eles não perderam dinheiro. Ganharam mais.

Como qualquer fabricante de sensor, inversor, medidor ou balança podia falar Modbus sem pedir autorização, todo mundo implementou. E quando um protocolo vira padrão, o CLP que o criou vira a escolha óbvia. O cliente não estava mais comprando um equipamento — estava comprando a certeza de que tudo ia se entender. A Modicon abriu mão do royalty e ficou com o mercado.

Quase 50 anos depois, o Modbus continua rodando em RS-485 e em TCP no chão de fábrica do mundo inteiro. É lento, é simples, não tem segurança nativa. Existe protocolo melhor em todos os quesitos.
E o Modbus está em todo lugar.

Porque em automação o que vence raramente é o mais elegante. É o que conversa com mais gente.

📌 Na foto, um Modicon 584 com badge Gould — o hardware da mesma época em que o protocolo foi publicado.